A humilde vassoura sempre teve uma importância curiosa na história dos costumes e, principalmente, na magia. Na crença popular, as feiticeiras invariavelmente voam montadas em vassouras; mas, de fato, o número daquelas que confessam tê-lo feito é marcadamente pequeno.
Como um implemento doméstico, a vassoura se tornou o símbolo da mulher. O símbolo equivalente para o homem é o garfo de capim, e nas ilustrações medievais, durante as reuniões de feiticeiros, as mulheres apareciam com vassouras e os homens com os garfos usados no campo. Em algumas partes da Inglaterra, até bem recentemente, uma dona de casa poderia colocar a vassoura fora da porta, ou enfiá-la pela chaminé, deixando aparecer uma extremidade, para significar que tinha saído. Mas, talvez, originalmente, sua intenção tenha sido guardar sua casa, fingindo estar presente na forma da vassoura. Isabel Gowdie, feiticeira escocesa do século 17, afirmou que, antes de sair para a reunião (sabá) das feiticeiras, a mulher teria que colocar a vassoura no leito conjugal, para tomar seu lugar ao lado do marido.
Na Idade Média, acreditava-se que as feiticeiras podiam voar em uma grande variedade de objetos: animais, cavalos de brinquedo, pás, cascas de ovo, um maço de capim, um punhado de grama, uma bengala de ponta aberta ou mesmo sem qualquer apoio.
Uma famosa feiticeira do século 14, Alice Kyteler, teria dito possuir uma coleção de objetos nos quais podia trotar e galopar, quando e como quisesse, depois de untá-los com um líquido encontrado em seu poder.
Ali não há qualquer indicação de vôo, mesmo que a menção do líquido possa sugerir isso. De acordo com um tratado anônimo, escrito em 1450, uma bengala untada com o óleo de voar era oferecida a cada feiticeira na sua iniciação. O mais antigo caso da confissão de uma feiticeira – de ter voado numa vassoura – foi em 1453, com Guillaumme Edelin, de Saint Germainen-Laye, perto de Paris. Uma feiticeira de Savoy, julgada em 1477, disse que o Diabo lhe presenteara com uma bengala de 45 cm e um jarro de ungüento. Ela a untava e colocava entre as pernas, dizendo: “Vai, em nome do Diabo, vai!”. E, imediatamente, era levada pelo ar até a reunião de feiticeiras.
Cem anos depois, em 1563, Martin Tulouff, de Guernsey, disse ter visto sua velha mãe montar numa vassoura, enveredar-se pela chaminé e dali para fora da casa, dizendo enquanto voava: “Vai, em nome do Diabo e de Lúcifer, sobre rochas e espinhos”. Em 1598, Claudine Boban e sua mãe, feiticeiras da Província de Franche-Comté, no Leste da França, também falaram em voar com vassouras, tendo como saída a chaminé.
O advogado e caçador de feiticeiras, Jean Bodin, na sua Demonomanie, em 1580, afirmava que feiticeiras podem voar tanto em vassouras como em carneiros negros, mas que somente o espírito da mulher voava, enquanto o corpo ficava em casa, para confundir os investigadores. Há evidências de que o “vôo” de feiticeiras era apenas um sonho ou uma experiência alucinatória, pois muitas delas explicavam que se dirigiam às reuniões pelos meios normais, a pé ou a cavalo.
É possível também que a crença de que as feiticeiras voavam em vassouras repouse no fato de elas dançarem com a vassoura entre as pernas, dando grandes pulos.
Pelo fim do século 18, a questão do vôo das feiticeiras foi levada à justiça e o juiz, Lord Mansfield, deu sua famosa sentença: ele não conhecia nenhuma lei inglesa que proibisse o vôo e, por isso, quanto a ele, se houvesse alguém com tais inclinações, podia fazê-lo livremente. E é daí que vem um outro mistério: ninguém explica por que, desde o momento em que a lei liberou o vôo, não se teve mais conhecimento de feiticeiras voando em vassouras, ou outro meio.
Assim que aterrissou, a vassoura experimentou eclipse total em sua notoriedade.
Mas, um rito ficou: em Gales e entre os ciganos, permanece o ritual do casamento de vassouras. O casal feliz soleniza a união, saltando pra dentro de seu novo lar, por sobre uma vassoura colocada no umbral da porta. Isso deve ser feito na presença de testemunhas e sem mexer na vassoura. Em qualquer momento, no futuro, o casamento pode ser desfeito, com um ato ao revés: o casal saltaria para fora da casa, pulando de costas sobre a vassoura, ainda na presença de testemunhas.
Mas, é infelizmente para uma jovem pular sozinha sobre a vassoura no umbral: significa que se tornará mãe, antes de ser esposa. A má sorte também pode vir, se uma vassoura for feita em maio, um mês que a tradição afirma ser de baixa fertilidade. Varrer a poeira para a porta da frente também é sinal de má sorte: significa expulsar a felicidade de casa. Na Índia, a vassoura é amarrada ao mastro dos navios, para “varrer” as tormentas. Da mesma maneira, o almirante holandês Van Tromp amarrou uma vassoura no mastro de seu barco de guerra, para dizer que iria “varrer” os navios inimigos dos oceanos.
Pesquisa Google (A vassoura mágica das bruxas):
http://www.google.com.br/search?q=a+vassoura+das+bruxas&ie=UTF-8&hl=pt-BR&meta=
Links (the broom of the witches):
http://www.shanmonster.com/witch/wards_tools/broom.html
http://www.globalpsychics.com/lp/Superstition/witches_and_brooms.htm
http://www.webster-dictionary.org/definition/witches'%20broom
http://www.moonlightmysteries.com/brooms/brooms01.html
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