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Hermetic Knight

By: Julius Caesar

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Monday, 28-Jun-2004 00:00 Email | Share | Bookmark
A Caça às Bruxas, Bamberg, Alemanha Pt. I-I

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Era o tempo da grande caça às feiticeiras. Na Europa, dominava a crença de que era obrigação dos cristãos resgatar hereges e pagãos do hediondo destino que os esperava depois da morte.

Muito antes, Santo Agostinho expressava sua convicção de que “não apenas cada pagão, mas cada judeu, herege e cismático, irá para o fogo eterno, a não ser que, antes do fim de sua vida, se reconcilie e se encaminhe para a Igreja Católica”.

A conseqüência dessa atitude foi a imposição de verdadeiro inferno na terra, para milhares de criaturas humanas, com o objetivo de salvá-las do terror do inferno, na vida futura.

Os horrores da perseguição provavelmente foram piores na Alemanha do que em qualquer outra parte da Europa. Os julgamentos de feiticeiras começaram ali em meados do século 15, mas o ápice foi depois de 1570, na época da Contra-Reforma, quando a Igreja Católica Romana começou a impor o recuo ao crescimento do protestantismo e a toda forma de heresia, incluindo a feitiçaria, que se tornou, então, alvo de ataques brutais.

Entre 1609 e 1622, mais de 300 pessoas foram executadas sob a acusação de feitiçaria, somente no estado de Bamberg. O acusado era torturado sem preocupação de sexo ou idade.

Em 1614 uma mulher de 74 anos atravessou, antes de morrer, os tormentos da tortura até o “terceiro grau”.

De 1623 a 1632, o estado de Bamberg – mais tarde descrito como o “templo do terror” – foi governado pelo fanático príncipe-bispo Gottfried von Dornheim. Conhecido como o “bispo feiticeiro”, ele estabeleceu uma organização de caça a feiticeiras extremamente eficiente, sob o comando do bispo assistente Friedrich Förner, assessorado por um conselho de advogados. Prisões especiais foram erguidas, ficando famosa a chamada Hexenhaus, ou a “Casa das feiticeiras”. No mínimo 600 pessoas foram queimadas nessa década, sob a acusação de feitiçaria.

Era considerado essencial que o acusado confessasse a prática de feitiçaria e, nesse sentido, nenhum esforço era poupado. Os meios empregados incluíam: tostar a vítima numa caldeira de ferro incandescente, beliscar-lhes a pele com pinças quentes, esmagar suas pernas, deslocar as clavículas e esmagar os dedos.

Era extremamente perigoso expressar qualquer dúvida quanto à culpa dos acusados ou à ação da corte e os métodos usados, para obter a confissão. As autoridades estavam determinadas a não deixar que o acusado, um vez preso, escapasse à sua sorte.

Isso foi provado pelo próprio vice-chanceler de Bamberg, Dr. Ham, que tinha mostrado sinais de liberalidade para com os acusados: ele próprio foi acusado de feitiçaria, admitiu sua culpa sob torturas e denunciou outro cinco burgo-mestres do estado. Isso não o salvou: em 1628, o Dr. Ham, sua esposa e sua filha foram queimados, sob a acusação de serem uma súcia de feiticeiros.

A caça às feiticeiras, em Bamberg, envolvia uma indústria inteira, que ia desde os juízes até os fornecedores de lenha para queimar os acusados. Todas as despesas eram pagas com o patrimônio do próprio acusado. Se alguém demorasse em confessar, os métodos de tortura atingiam requintes de perversidade: penas em chamas, com ácido sulfúrico, passadas pelas axilas ou pelos órgãos genitais, ou ainda banhos com água fervente, na qual o ácido era adicionado.

Muitas vezes a riqueza do acusado é que provocava a denúncia, prisão, tortura e execução do mesmo. Por isso, a traição entre amigos era coisa comum.

Tudo terminou quando refugiados foram relatar ao imperador os detalhes do simulacro da justiça em Bamberg: leis mais amenas foram baixadas, dando oportunidade de defesa ao acusado. Mas isso não era obra apenas da Conra-reforma: o luterano Benedict Carpzov admitiu ter determinado a execução de, pelo menos, 20 mil pessoas, na Saxônia. Com o gradual declínio da crença na existência do diabo, o medo às feiticeiras abrandou. E, com isso, não houve mais necessidade de mandar queimar, para salvar a alma do acusado.

Em 1630 morreu o bispo Förner e, dois anos depois, foi seguido por seu mestre, o príncipe-bispo Dornheim. Também, a invasão da Alemanha por Gustavo Adolfo, da Suécia, contribuiu para alterar a situação: o réu sueco era protestante. Foi necessária a presença de um herege em solo católico para que cessassem as atrocidades que estavam sendo cometidas em nome da religião. Só assim, colocou-se um ponto final em uma das mais negras páginas da intolerância e da ignorância humana.


Sobre as imagens: Hermann Löher e Wehmütige Klage, 1677 (1,2,3); Sachsenspiegel, 1220 (4); Morraine, 1840 (5); Löher, 1677 (6); Merian, 1626 (7); Löher, 1677 (8 ); Scherr, 1878 (9); autor desconhecido, século 17 (10); Millais, 1894 (11); Basedow, 1768 (12); Luyken, 1700 (13); autor e época desconhecidos (14); Löher, 1677 (15); La Tour, 1493 (16); Morraine, 1840 (17); Remigius, 1693 (18); alguns dos instrumentos de tortura utilizados pelos caçadores de bruxas (19, 20); cartaz incitando à caça as bruxas (21); Hexenhaus, a casa das bruxas(22).


Links (All english links are dedicated to Steve Troy and Donald D'buck):

http://www.zpr.uni-koeln.de/~nix/hexen/e-index.htm

http://www.shanmonster.com/witch/


Thanks for English links.... Tue 29-Jun-2004 00:15
Posted by:Steve Troy  - [Link]
oie, júlio!! tá sumido hein!!
espero q no dia 05 vc me dê um alôzinho...
essa sua postagem está ótima, mto interessante... aliás, sem querer rasgar seda, mas tds têm sido mesmo.
é horrível saber o q foi feito em nome da religião e, pior ainda, os outros interesses escondidos por trás desta história de salvação.
mas ignorância, infelizmente, existe até hj, ainda em nome de Deus. vide os episódios no Oriente Médio e tudo o mais...
Mas... assim caminha a humanidade, não é?
bjs e até a próxima
Thu 1-Jul-2004 22:17
Posted by:marcela malvescorrea@yahoo.com.br
Meu, muito loka sua fotopage, e através da sua encontrei várias páginas muito interessantes como a do Steve Troy! Ah, valeu pelo comentário lá na minha sobre a MARAVILHOSA página da tal de Fernanda, ela manda bem, não manda? Pior que ela só o Narciso! Aaaaaaaaaargh! Até...
http://lfv56.fotopages.com
Thu 1-Jul-2004 22:47
Posted by:Luiz Felipe  - [Link]
Valeu pela visita na minha fotopage e te espero la mais vezes, espero que voce consiga consertar seu pc! Tue 6-Jul-2004 14:37
Posted by:Lucas CSN  - [Link]
Extraordinary collection. Tue 6-Jul-2004 21:06
Posted by:Ronald buron51@hotmail.com  - [Link]
oieeeee!! vim aqui cobrar pela sua ausência, hein!!! disse q estaria de volta no dia 05, né? pois é... hj é dia 06 e cadê vc???
apareça!
bjs
Tue 6-Jul-2004 21:40
Posted by:marcela malvescorrea@yahoo.com.br
These are fascinating!! Tue 6-Jul-2004 23:37
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Sehr interessante alte Stiche! Wed 7-Jul-2004 20:19
Posted by:Renate nati.eder@gmx.de  - [Link]
Tá na cara que o articulista calunia descendo a lenha tanto em católicos como nos protestantes. E suas fontes históricas onde se encontram? Não vi nenhuma citação. Aliás vi uma e esta atribuida a Santo Agostinho:

"não apenas cada pagão, mas cada judeu, herege e cismático, irá para o fogo eterno, a não ser que, antes do fim de sua vida, se reconcilie e se encaminhe para a Igreja Católica”.

É próprio dos caluniadores inventar frases e atribuí-las a alguma personagem famosa da Igreja Católica. Para identificar a sua falsidade basta verificar se elas vêm acompanhadas das referências devidas. Como no caso aqui, deveria ter indicado em que obra de Santo Agostinho está escrita esta fala, livro e capítulo, editora, edição, pagina. Cadê? Eta bichinho mentiroso!!!!!!
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Sat 25-Aug-2007 13:01
Posted by:oswaldo oswpgarcia@turbopro.com.br


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