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Hermetic Knight

By: Julius Caesar

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Monday, 7-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
O Gato Pt. I-III

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Adorado como divindade ou temido como agente do diabo; sacrificado aos espíritos do mal ou bem quisto por seus poderes de cura – o gato tem representado, ao longo dos séculos, incontáveis papéis. No antigo Egito, matar um gato era considerado crime, punido com a morte.

Diodorus Siculus, historiador grego, descreve o linchamento de um soldado romano, em plena rua, pelo crime de ter matado um gato. Nem os altos oficiais egípcios que o acompanhavam puderam ajudá-lo. Isto porque ao gato eram atribuídos poderes divinos. Muitos deuses egípcios tinham relação com gatos. Era o caso da protetora da antiga cidade de Bubastis (hoje, Tel-Basta), a leste do delta do rio Nilo. Tinha cabeça de gato e corpo de mulher.

Se um gato morria, por qualquer razão, seu dono guardava luto fechado e iniciava um complicado ritual. Nele, estava incluída a raspagem das próprias sobrancelhas.

Às margens do Nilo, haviam cemitérios de gatos onde os animais mortos eram mumificados e deixados em descanso eterno, junto com objetos cerimoniais e imagens de gatos, em bronze.

O gato era investido dessa aura de santidade em quase todo lugar do mundo antigo. Diana, a deusa romana, assumia a forma de gato, em algumas ocasiões. A carruagem de Freyja, a deusa escandinava da fertilidade, era puxada por parelhas de gatos.

Toda a reverência prestada ao gato não se prendia a nenhum aspecto utilitário do animal. O fato dele se ser utilizado como defensor dos celeiros contra os ratos (antigo Egito) ou como tradicional caçador de serpentes, pouco contribuiu para a sua divinização.

O estranho fascínio exercido pelo gato sobre os antigos parece ter origem na beleza de seus olhos e na semelhança que tem com a lua.

No livro, O Culto ao Gato (Patrícia Dale-Green), diz-se que “como a lua, o gato surge para a vida à noite, escapando da humanidade e perambulando pelos telhados, com seus olhos a brilhar através da escuridão”. Essa curiosa ligação foi estabelecida, provavelmente, devido às variações que ocorrem nas pupilas do gato. À noite elas parecem globos luminosos e, de dia, transformam-se em estreitos riscos negros. Da magia dos seus olhos é que surgiram as crenças nos poderes sobrenaturais do gato.

No Oriente, acredita-se que o gato transporta as almas dos mortos durante um certo tempo. Os negros do Oeste da África mantêm a crença de que, ao morrer um ser humano, sua alma encarna-se no corpo de um gato.

Uma lenda italiana fala de uma gata que deu à luz debaixo da manjedoura onde Cristo nasceu. Mas o gato não estava destinado a ser venerado pela Europa Cristã.

A igreja, na sua violenta e secular luta contra o paganismo, acabou alterando fundamentalmente a posição do gato. De animal sagrado, ele passou a ser considerado encarnação do diabo.


sorry i dont understand the commentary but i like the pics Mon 7-Jun-2004 14:44
Posted by:Mark  - [Link]
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Saturday, 5-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Os Sonhos Pt. III-III

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C.G. Jung ( 1875-1961 ) procurou, por sua vez, mostrar que os sonhos perturbam o sono tão freqüentemente quanto o protegem.

Se os sonhos têm outras funções além das estabelecidas por Freud, quais seriam? Para que serviriam? Em vez de procurar suas causas, Jung preferiu estudar sua razão de ser. Considerou os sonhos como uma espécie de fotografia imparcial da vida inconsciente, uma compensação para a excessiva racionalidade do homem, a voz do “outro”, que cada um tem dentro de si.

Jung acreditou que os sonhos poderiam abrir para o indivíduo os caminhos do futuro, ocultos ao seu consciente, e foi por isso que deu menos importância ao estudo de um único sonho do que ao de uma série deles. Estas séries revelaram para ele a força do inconsciente e, através do que chamou “processo de individuação”, exortou o homem a incorporar as partes desconhecidas de sua personalidade e, assim, chegar ao eu ou à totalidade.

Nos anos 50, a análise fisiológica dos sonhos voltou a tomar um impulso com as tentativas dos norte-americanos Kleitman e Dement de estabelecer um método “objetivo” para o estudo dos sonhos. Acabaram redescobrindo o que os hindus sabiam há 3 mil anos: a existência de dois diferentes estados de sono, um dotado de sonhos, outro privado deles. Esta distinção foi evidenciada pela descoberta de rápidos movimentos dos olhos, que ocorrem ao mesmo tempo em que se dão os sonhos que são lembrados depois.

Os fisiologistas norte-americanos também afirmaram que todo mundo sonha, mesmo aqueles que o negam, e procuraram mostrar que os sonhos só se tornam evidentes durante certas fases periódicas do sono, fases estas que se tornam menos freqüentes com a idade: os recém-nascidos sonham 80% de seu tempo total de sono, porcentagem que cai para 35/40% nas crianças e 20/30% nos adultos.

Sua constatação, contrariando teorias anteriores, parecia indicar que os sonhos, longe de serem apenas relíquias de memórias anteriores, como pretendia Freud, seriam predominantes, justamente em um período no qual estas memórias são inexistentes. Mais notáveis ainda foram as pesquisas com galinhas, que apresentaram sintomas fisiológicos de sonhos antes mesmo que o ovo fosse chocado, e com gatinhos, que aparentemente também sonharam antes que seus olhos abrissem. Essas experiências, então, sugerem que os sonhos ocorrem antes que a memória seja capaz de alimenta-los.

Em 1959 Kleitman e Dement realizaram experiências nas quais impediam pessoas de sonhar, despertando-as, quando seus olhos começavam a se mover e o resultado foi que elas passaram a apresentar características psicóticas tão alarmantes que as pesquisas tiveram que ser interrompidas. Entretanto, pensaram ter descoberto a “fonte” dos sonhos, ou sua “estação de abastecimento” na parte mais primitiva do cérebro, ao nível da formação reticular. Isso parece confirmar a existência de uma base ancestral, hereditária e coletiva para os sonhos.

Na França, o Dr. Jouvert e seus colegas de Lyon chegaram às mesmas conclusões dos fisiologistas norte-americanos quanto ao impedimento dos sonhos e verificaram que causava a morte de gatos e ratos “em perfeito estado de saúde”. Concluíram que os sonhos são uma função essencial da vida e que seria menos perigoso passar fome e sede do que ser privado de sonhos.

Através de suas experiências em laboratórios, estabeleceram o que Jung e outros tinham acreditado, ou seja, que os sonhos expressam uma função auto-reguladora e compensatória do organismo.

Entretanto, até agora, os fisiologistas não explicam o significado dos sonhos em geral, ou de usas imagens, em particular, e sonhar continua sendo uma viagem a um simbólico mundo desconhecido.


Pesquisa Google (Sonhos e correlatos):

http://www.google.com.br/search?q=sonhos%2Bsonho%2Bs%C3%ADmbolos&ie=UTF-8&hl=pt-BR&btnG=Pesquisa+Google&meta

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=sonhos%2Bsonho%2Binterpreta%C3%A7%C3%A3o&meta=


Outros:

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=freud%2BJung%2Bsonhos&meta=

http://www.angelfire.com/clone/sonhos/

http://www.str.com.br/Str/sonhos.htm

http://gold.br.inter.net/sonhos/artigo2.htm


Google Search (The dreams, The interpratation of dreams):

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=dreams+interpretation&meta=

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=dreams&meta=


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Friday, 4-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Os Sonhos Pt. II-III

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A publicação, em 1867, de Dreams and the Means of Controling Then, por Hervey de Saint Denis, professor do Colégio de França, e o trabalho de Alfred Maury, Sleep and Dreams, em 1861, formam um marco no estudo científico dos sonhos.

Esses dois trabalhos representaram a culminação de uma série de pesquisas sobre as analogias entre sonhos e doença mental, entre as imagens que ocorrem durante os estágios intermediários, entre acordar e dormir ( conhecidas como imagens hipnagógicas ) e as alucinações do doente mental.

Descobriu-se que, mesmo as pessoas que negam sonhar, de fato sonham: e investigou-se a conexão entre as imagens do sonho e estímulos sensoriais externos.

No século 19, as primeiras pesquisas sobre o sonho basearam-se em uma teoria essencialmente fisiológica. Alfred Maury estava entre os que tentaram estabelecer nos estímulos externos a causa fundamental do sonhos. Tentando comprovar sua teoria, Maury, realizou muitas experiências. Certa ocasião, pediu que alguém lhe roçasse os lábios e a ponta do nariz enquanto dormia, e isto o fez sonhar que lhe torturavam o rosto.

Então surgiu a grande dúvida: o mesmo incidente produziria uma seqüência de sonho similar em sonhadores com vivências e memórias diferentes? Maury duvidou que isso fosse provável e Hildebrandt, outro fisiologista, confirmou, com suas experiências, as dúvidas de Maury. Suas pesquisas indicaram que os mesmos estímulos externos produziam diferentes sonhos nas mesmas pessoas, e mais ainda em pessoas diferentes.

Hildebrandt foi despertado da mesmas maneira durante três dias consecutivos e teve três sonhos diferentes. Essa experiência, então, teria demonstrado mais uma vez que estímulos externos nunca são a causa da seqüência do sonho, mas, no máximo, um pretexto.

Nesse estágio, o caminho estava aberto para Freud que descreveria o sonho como um processo psíquico autônomo. Em suas tentativas de controlar os sonhos, Jean-Paul e Saint Denis tinham chegado a reconhecer o caráter autônomo dos sonhos e que concentração e vontade, no máximo, poderiam introduzir imagens e temas nos sonhos, mas nunca criar a seqüência na qual apareceriam estas imagens e temas.

Em 1900, Sigmund Freud publicou sua obra mais conhecida, a Interpretação dos Sonhos. Ele pretendeu reinstituir a “ciência” dos sonhos e apresentou, em termos claramente analíticos, observações encontradas com freqüência entre numerosos autores antigos e recentes que trataram do assunto.

A utilização dos sonhos com finalidades terapêuticas e sua interpretação sexual eram duas características da psicanálise em 1900.

Na época de Freud, e especialmente entre as mulheres ricas que formavam a maioria de seus pacientes, a repressão era basicamente sexual. Eis por que, na conclusão de sua análise de sonho, Freud freqüentemente encontrava significados sexuais. Mas sabia que os sonhos podem ser provocados por causas não-sexuais e até mesmo pela fome ou pela sede.

A técnica freudiana de interpretação dos não parece ser muito diversa da utilizada pelos antigos. A diferença é que, ao invés de recorrer à associação de idéias do intérprete, utiliza a do próprio indivíduo que sonha.

Para explicar a existência dos conteúdos oculto e manifesto dos sonhos, Freud criou a teoria da resistência e da censura, idéias que nasceram do estudo de fenômenos neuróticos, particularmente a histeria. Para ele, os histéricos conheciam “toda a verdade” no nível do inconsciente mas se recusavam ou eram incapazes de admiti-la.

Relacionou o sonho a um fenômeno neurótico e atribuiu seu conteúdo manifesto a uma resistência que impede a manifestação do conteúdo latente. É aí que o “censor” atua. De um lado, Freud sustentava que todo sonho é expressão de um desejo, mesmo masoquista; de outro, que sua primeira função é a de ser guardião do sono.


Sobre as imagens: a arte de H.R. Giger.


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Thursday, 3-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Os Sonhos - Pt. I-III

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Uma das coisas que o homem parece nunca ter conseguido explicar satisfatoriamente são os sonhos. Por essa razão, ou outras de caráter místico ou religioso, o ser humano, através dos tempos, vem atribuindo aos sonhos as mais diversas significações.

O descobrimento das razões pelas quais uma coisa acontece leva à explicação de ordem sobrenatural, e assim, a experiência do sonho teria dado aos primeiros homens a sensação de estarem constantemente em contato com um mundo desconhecido. Ou, ainda, seria através dos sonhos que os deuses se comunicariam com os homens, expressando sua vontade, e os demônios, sua malignidade.

Antes do surgimento da ciência moderna, e mesmo depois, considerou-se que, através dos sonhos, talvez fosse possível saber sobre o próprio destino, o que se relacionaria com o fato do sonho refletir, sem barreiras, as vontades mais íntimas de uma pessoa.

Textos egípcios relatam sonhos de faraós relacionados com os deuses e seu significado, geralmente, comprovava a divina ascendência dos soberanos. Mas os habitantes do antigo Egito estavam muito mais preocupados com a interpretação de seus próprios sonhos do que com os dos faraós, e para isso criaram uma ciência da adivinhação do sonho – a oniromancia.

Seu funcionamento pode ser apreendido por vestígios fragmentários de “chaves” de interpretação de sonhos que foram encontrados. Um papiro, conhecido pelo nome próprio de papiro Chester Beaty III, que possivelmente preserva tradições do Médio Império ( 2000-1785 a.C. ), traz longa lista de fórmulas de interpretação de sonhos: “Se um homem se vê olhando uma cobra – bom, significa ( abundância de ) provisões. Seu um homem se vê olhando um boi morto – bom, significa ( morte de seus inimigos ). Se um homem vê sua cama em chamas – mau, significa o rapto de sua esposa”. No Velho Testamento, a mais famosa interpretação e sonhos é o episódio do qual José é o herói e que se passa no Egito ( Gênese, cap. 40/41 ). Ele é apresentado como grande intérprete de sonhos e mostra-se superior e favorecido de Deus, pelo fato de ter conseguido decifrar o sonho do faraó, o que os sábios egípcios não conseguiram.

A antiga literatura hebraica é rica em relatos de sonhos pelos quais Jeová transmitia sua vontade e propósitos aos seus seguidores. Uma delas é a do patriarca Jacó que, fugindo da ira do irmão, Esaú, teria sabido de seu destino através de um sonho, no qual o Senhor lhe teria falado.

Os gregos e os romanos também parecem ter acreditado na comunicação com as divindades através dos sonhos. Ésquilo,dramaturgo grego do século 5 a.C., via na oniromancia umas das maiores dádivas concedidas à humanidade pelo herói Prometeu. Em seus poemas, Homero faz relatos de sonhos, que são enviados por Zeus ( Ilíada, livro II ).

Platão, em República, descreve Sócrates afirmando que os sonhos de um homem bom são puros e proféticos porque, quando dorme, sua alma fica livre e não é afetada por problemas do corpo.

Já a igreja católica, ao contrário das antigas religiões e tradições, associou a interpretação dos sonhos à feitiçaria. Mas mesmo assim, na Idade Média, os sonhos foram a inspiração de grandes vocações – como nos casos de São Francisco de Assis ou São Domingos.

Foi somente no século 19, com o Romantismo, que os sonhos se tornaram aceitáveis no Ocidente. O tema atraiu a atenção de estudiosos, místicos e poetas, cuja abordagem dos sonhos eram mais literária e metafísica do que experimental e científica.

O escritor romântico alemão, Jean-Paul, não se limitou, porém, a observar os sonhos: fez experiências tentando reter a consciência e impor sua vontade para controlá-los.


Sobre as imagens: o surrealismo de Salvador Dali.


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Wednesday, 2-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Povos & Ritos - Mutilação Pt. III-III

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As várias formas de mutilação parecem ter suas origens em antigos credos religiosos, credos ou tabus que sobreviveram, embora disfarçados sob formas mais sofisticadas. O que haveria de subjacente nessas atitudes é sempre a mesma coisa: o sentimento de culpa, de um lado, e a necessidade do sofrimento para atenuá-la, de outro.

Posteriormente, a deformação física teria passado a representar uma espécie de “marca” de participação tribal – os camponeses de determinadas tribos, por exemplo, mutilariam a face esquerda do rosto para serem identificados entre os seus e temidos pelos inimigos.

Essas deformações sob forma de cicatrizes ou vergões, comuns entre tribos africanas, freqüentemente tidas como complementos à beleza, funcionariam à semelhança dos artifícios ocidentais de embelezamento.

Um exemplo bizarro dessas deformações seria encontrado entre os Ubangi, da África Central, cujas mulheres têm os lábios superior e inferior cortados e depois distendidos com discos de madeira. Anéis de bronze são usados pelas mulheres Burmese para alongar-lhes o pescoço de tal forma que mal conseguem inclinar a cabeça.

Uma observação do comportamento humano através dos tempos parece mostrar que o homem tem infligido sofrimento a seu corpo, e que dentes, pele, cabelos, pés, órgãos sexuais e o rosto foram e ainda são as grandes vítimas do fervor religioso ou simplesmente das preocupações com a moda.


Sobre as imagens: homem que blasfemou precisar cortar a própria língua, pintura etíope (1); adepto da automutilação (2); adepto da escarificação (3,6); adepto da body modification, homem lagarto (4); ritual hindu, Kivadi, Malásia (5).


Escarificação/Scarification: http://www.bmezine.com/scar/bme-scar.html

Cultura e Ritual/Ritual and Culture: http://www.bmezine.com/ritual/bme-ritu.html

Grampo/Pocket: http://www.bmezine.com/pocket/index.html


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Tuesday, 1-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Povos & Ritos - Mutilação Pt. II-III

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Entre gregos e romanos, haveria diversos cultos nos quais os sacerdotes precisavam ser eunucos. Em Éfeso, por exemplo, os principais sacerdotes de Ártemis – a deusa virgem protetora das mulheres – eram necessariamente castrados e haveria a mesma exigência para os servidores de Hécate, em Lagina, e para os de Cibele e Astarte.

Astarte, originalmente uma deusa-mãe e depois transformada em deusa da atividade sexual, da fertilidade e da maternidade, teria sido especialmente parcial na mutilação de seus sacerdotes, porque seus templos eram servidos por prostitutas sagradas e por eunucos. E conta-se que os sacerdotes de astarte costumavam correr pelas ruas levando seus órgãos mutilados e os atiravam em alguma casa como promessa de fertilidade a uma mulher estéril.

No começo do cristianismo, a castração teria sido considerada desejável face à aparente “recomendação” a favor dos eunucos, feita por Cristo no Novo Testamento. Segundo Mateus (19:12), Jesus disse: “Há alguns eunucos que se fizeram por amor ao reino dos céus. Ele, que é capaz de receber isto, deixa-o recebê-lo”. Mas o original grego poderia ser traduzido mais literalmente como “Ele, que é capaz de realizar o ato, deixa-o fazê-lo”.

Intimamente relacionado com a esfera mágico-religiosa é o ritual da circuncisão, que poderia ter surgido como um substituto da emasculação total. A operação parece ser muito antiga, pelo fato de sua prática ter sido verificada em todo o mundo, entre as mais diferentes tribos primitivas.

Suas conotações religiosas apareceriam claramente entre as sociedades primitivas, em seu ato deliberado de auto-infligir-se a dor. Quando a circuncisão faz parte de uma cerimônia de iniciação como, por exemplo, entre os Banto africanos, joga-se pimenta na ferida para assegurar ao jovem a imunidade diante dos perigos e sofrimentos com os quais se irá deparar no futuro. Supõe-se que sua dor acalmaria deuses e espíritos.

Os traços mais evidentes da religiosidade da circuncisão poderiam ser melhor observados no antigo costume judeu: é impossível ser considerado um judeu ortodoxo, a menos que a operação seja feita com todos os ritos e orações que acompanham. Quando os romanos, durante sua ocupação da Palestina, tentaram suprimir o ritual, depararam-se com uma resistência fanática: os judeus eram inflexíveis e consideravam que qualquer tentativa de impedi-los de praticar a circuncisão em seus descendentes masculinos era uma interferência em princípios básicos.


Sobre as imagens: faquir do sul da Índia com a língua transpassada por espeto durante festival religioso; homem sendo preparado para a cerimônia kivadi, na Tailândia; adepto da body suspension e afins; mulher Ubangi com os lábios estirados por peças de madeira, exigência dos complicados rituais de iniciação; adepto do nose piercing (no nariz) e afins, adepto do ear stretching (alargador de orelhas); jovem africano com dentes afiados em ponta para intimidar seus possíveis inimigos; homem lagarto (corpo praticamente todo tatuado, dentes afiados em ponta e língua bifurcada); adepto da auto-amputação; casal adepto da toe amputation (amputação dos dedos dos pés); moça chinesa cujos pés foram atrofiados para atender as exigências da moda (afim de impedir o crescimento dos pés, elas os enfaixavam); adepto da toe amputation (1); adeptos do sadomasoquisto (2,3,4,5,6).


Bem vindo ao fotopage e desejo a voce sorte, vou esperar as proximas fotos espero sua visita na minha fotopage!

Valeu brow
Wed 2-Jun-2004 00:31
Posted by:Lucas  - [Link]
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Sunday, 30-May-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Povos & Ritos - Mutilação Pt. I-III

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O homem, considerado o único ser racional da natureza, tem sido paradoxalmente, o único animal que deliberadamente se automutila: a circuncisão, a escarificação, a tatuagem e outras formas de deformação foram e têm sido praticadas por motivos religiosos, mágicos e estéticos.

As mutilações, quando realizadas entre grupos sociais considerados como pré-civilizados, poderiam ser entendidas como um comportamento diante de grandes e poderosas forças naturais que eles não compreendiam e não controlavam: tempestades, furacões, sismos, dentre outras intempéries, eram animados por espíritos que precisavam ser constantemente apaziguados para que o homem escapasse da morte e da destruição.

Daí poderiam ter surgido a idéia do sofrimento como meio de aplacar a ira dos deuses e os rituais que envolviam o sacrifício humano ou a deformação ou supressão de parte do corpo da vítima.

Mas como entender a mutilação praticada pelo homem moderno e civilizado? O uso de brincos, o costume de arrancar os pêlos das sobrancelhas e as várias formas de cirurgia plástica, todos realizados com finalidades estéticas, podem ser, de certo modo, considerados como vestígios de antigos costumes tribais.

As origens médico-religiosas da castração parecem estar em antigas leis de certas tribos germânicas, que faziam desta mutilação o castigo pelo roubo dos templos. Já na Índia, essa punição era aplicada àquele que humilhava (jogando urina) alguém pertencente a uma casta superior.


Sobre as imagens: as cicatrizes da mulher sudanesa não tem apenas motivos estéticos ou religiosos, mostram que ela é casada e quantas vezes esteve grávida (1); adeptos da escarificação (2,3,4); ritual hindu, Kavarnandaashram (5); adepto do sadomasoquismo (6).


Cesarrrr??? apareça...no msn!!! Morrendo de saudades de vc menino!!! Beijus Sat 10-Jul-2004 14:09
Posted by:Hemilin hemilindinha@hotmail.com  - [Link]
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