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| Friday, 18-Jun-2004 00:00 |
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O Corpo Astral II-III
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Um dos mais experimentados viajantes astrais americanos, o escritor Sylvan Muldoon, empresta grande importância a: primeiro construir forte desejo no subconsciente, que se alojará no consciente astral e em seguida, concentrar-se na própria imagem, no espelho. Depois, a atenção tem que se concentrar nas batidas do coração e na tentativa de tomar consciência da pulsação em qualquer parte do corpo. Então, repetindo através de sugestão mental, o coração deve ser forçado a diminuir o ritmo. Muldoon diz que um estudo real e uma vontade férrea de viagem astral sempre trará resultado porque a determinação criada no subconsciente, inevitavelmente emergirá.
Há possibilidade de que algumas aparições ou visões imateriais de pessoas – vivas ou mortas – sejam devido à presença de corpos astrais. Há o caso de lady B. e sua filha que, em 1892, afirmaram ter visto a fantasmagórica figura de uma mulher olhando em seu espelho. Hornell Hart escreveu, em Enigma da Sobrevivência: lady B. viu a mulher em três quartos de perfil. A senhorita B. viu a figura por trás; o rosto não lhe era diretamente visível, mas o viu perfeitamente refletido no espelho”. As descrições mostram que o que viram as duas mulheres se assemelhava à presença física de uma pessoa, no quarto.
A idéia do corpo astral é muito antiga. Escritos hindus descrevem os oitos siddhis, ou poderes sobrenaturais, que podem ser conquistados por um tipo de ioga chamada pranayama. O sexto deles é “voar pelo céu”, aparentemente se referindo ao que hoje é chamado de projeção astral.
E. R. Dodds mostra que a idéia ocidental do corpo astral se originou na filosofia grega clássica, aparentemente sem qualquer influência oriental. Platão, em suas Leis (livro 10), discute as almas das estrelas, que dirigem suas trajetórias. Ele diz que alguns acreditam que essas almas são de fogo ou de ar, além da matéria própria das estrelas. Diz ainda que, embora não seja visível, a alma humana nos envolve de forma imperceptível a todos os sentidos. Em Timaeus diz-se que o Criador fez almas que colocou nas estrelas, como se estivessem em carruagens. Essas almas eram para nascer depois como humanos e, se tivessem vidas virtuosas, voltariam felizes às estrelas, depois da morte.
Aristóteles, discípulo de Platão, desenvolve a teoria de que o pneuma (ar ou respiração) é elemento constituinte de homens e animais, onde reside a alma, de material análogo ao das estrelas. Todo esse complexo de idéias e teorias resultou na noção atual da existência do corpo astral.
E essa noção do corpo astral tem continuidade no Ocidente. No Purgatório, de Dante, (canto 25), escrito no século 14, é dito que depois da morte, a alma ao redor gera seu próprio poder criador, semelhante à sua forma viva, em aspecto e tamanho. O ar circundante adota a forma que a alma lhe impõe. No século 16, Agrippa von Nettesheim parece referir-se ao corpo astral, quando fala das férias do corpo, quando ao espírito é permitido transcender suas limitações, como uma luz que escapa de uma lanterna, para espraiar-se pelo espaço.
Sobre as imagens: Sylvan Muldoon (1); projeção em torvelinho (4); corpo físico, corpo astral e corpo espiritual (6).
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| Thursday, 17-Jun-2004 00:00 |
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O Corpo Astral Pt. I-III
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Por centenas de anos perdura a idéia de que o homem é feito de dois componentes: o corpo material e o espírito ou alma, que vem de Deus. Mas, alguns filósofos e ocultistas afirmam que há um terceiro elemento, o corpo astral, o corpo de luz, o corpo estelar. É uma reprodução do corpo de carne e osso, mas feito de material muito mais fino e com luminosidade. Pode vagar e se mover, atravessar objetos sólidos, sobrevive à morte (quando deixa o corpo físico) e passa a existir no plano astral, que é o plano normal da vida, mas chegando até o além.
Uma jornalista católica, Anne Osmont, também ocultista, ofereceu curioso relato de uma viagem astral. Ela morreu em 1953. Contou esta história: conseguiu, numa viagem astral, deixar provas matérias de sua experiência. Era muito amiga de um casal de franceses como ela e escultores os dois.
A esposa Annie repetia sua completa descrença na possibilidade de viagem astral, ou mesmo na existência do corpo astral. Anne Osmont resolveu provar-lhe o contrário: com grande esforço, que durou meia hora, conseguiu libertar seu corpo astral, projetá-lo através de paredes e ir até o quarto onde dormia o casal amigo. Num aparador havia um licoreiro de cristal. Ela decidiu derrubá-lo. O esforço, então, foi como se tivesse tentando mover um piano. Mas, conseguiu seu intento e o licoreiro foi se espatifar no chão. O casal sentou-se na cama e ela ouviu a esposa murmurar: “Deve ser aquela idiota da Osmont”. Dias depois, Anne Osmont encontrou o homem e lhe relatou a cena até os mínimos detalhes. Na sua história, Anne Osmont afirma que o esforço para mover o licoreiro a deixara exausta por vários dias. Os especialistas dizem que a remoção de um objeto, em viagens astrais, é coisa muito rara.
Entre os nativos da América Central, a projeção do corpo astral é conseguida com cantos encantados. A operação se chama “mudar de pele”. Tem que ser efetuada depois do anoitecer, num lugar frio e deserto. Inteiramente nu, o indivíduo canta uma das canções: ao final, seu corpo material fica inconsciente. E ele pode se tornar visível ou invisível, à vontade, ou tomar a forma que escolher. Mas, a aparência normal é de uma luminosidade oval, difusa: quem chegar bem perto, pode enxergar através da luz.
Outro caso: o Dr. Francis Lefebue, que praticava respiração ioga há sete anos, conta que, durante a Segunda Guerra Mundial, era médico num campo de prisioneiros, na Argélia. Um dia foi convocado pelo tenente. Encontrou-o no barbeiro. E o oficial lhe contou o que vira, na noite anterior, no meio do caminho para a estação. Vira com clareza e presenciara seu desaparecimento, como por encanto. “Depois disso – conta o Dr. Lefebue – o tenente nunca mais zombou de mim, como fazia antes”.
Pelos testemunhos dos que dizem ter viajado astralmente, conclui-se que o andar não é diferente dos movimentos do corpo físico, a não ser uma certa sensação de bem-estar e de leveza. O Dr. Lefebue conta que se lembra das vezes em que estava andando pelo quarto, sem saber se era sonambulismo ou viagem astral, até que se sentiu flutuar. Descreve a sensação do corpo astral com a sensação experimentada por alguém que sofre qualquer amputação: “sente” os movimentos do braço que foi cortado. Para projetar-se astralmente, o Dr. Lefebue depende de grande força de vontade, inclusive exercícios de ioga nos quais aumenta sempre, mais e mais, os intervalos de respiração.
Sobre as imagens: etapas do processo de projeção de uma "decolagem" clássica (1,2,3,4.5); suposta foto de um projetor fora do corpo (6).
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| Wednesday, 16-Jun-2004 00:00 |
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O outro Eu Pt. III-III
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Muitas supostas radiações foram consideradas elementos participantes no fenômeno da aura, inclusive os raios mitogenéticos descobertos por A. Gurwitsch em 1923, que emanavam dos tecidos da planta e afetavam a divisão celular da levedura. São uma radiação ultravioleta e de baixa intensidade.
Embora freqüentemente se anuncie que a aura humana teria sido vista por clarividentes, foi só em 1911 que W.R. Kilner encontrou os meios de demonstrá-la experimentalmente. Usou dois métodos: primeiro, olhando o corpo humano através de solução diluída de um corante chamado dicyanin, depois, olhando para uma luz muito brilhante através de uma forte solução de álcool. Este segundo método só deve ser usado durante curto intervalo de tempo porque é perigoso. Posteriormente, H. Boddington descobriu um tipo de vidro produzido na Checoslováquia e dispensa o uso da solução. Kilner também chegou a usar o carmim e desde então foram descobertos outros corantes considerados mais ou menos satisfatórios.
A aura só pode ser vista contra um fundo escuro; não é vapor, mas aparece como uma irradiação, usualmente azul-acinzentada. Ela também pode ser vista em magnetos e outros objetos e é afetada pelos primeiros; muda, com o tempo, em algumas espécies de fêmeas.
Kilner fez distinção entre uma aura exterior, sem forma regular, estriada, não visível contra um fundo vermelho, com largura de três e meio a nove centímetros em pontos diferentes; e uma aura interior, visível contra um fundo vermelho e dentro dela um espaço aparentemente vazio, no qual cuidadosas investigações mostraram tênues estrias coloridas, uniformes, com menos de um centímetro, quando visível. Depois, o autor conseguiu distinguir uma aura ultra-exterior, raramente visível.
O objetivo de Kilner com suas pesquisas era ajudar no diagnóstico de doenças, porque acreditava que estas causavam mudanças na aparência da aura. Ele teria identificado a mais interior das três subdivisões da aura com o que se tem chamado de duplo etéreo, e que os videntes consideram a “aura da saúde”.
O duplo etéreo é, provavelmente um elemento físico refinado, mas os ocultistas continuam afirmando que vêem o corpo astral , assim chamado por sua aparência brilhante,ou, ainda, o “corpo mental” e mesmo o centro espiritual do ser humano. Sendo ou não o que os crentes chamam de alma, materialização do outro eu, duplo etéreo, aparição ou fantasma, o fato é que a ciência vem desvendando cada vez mais os antigos mistérios da vida e do homem, tornando visíveis e compreensíveis fenômenos até então de propriedade exclusiva das religiões e dos místicos como, agora, o calor emanado pelo corpo humano e que não significa qualquer atributo particular da santidade. Mesmo assim ainda vai levar muito tempo para a ciência conseguir explicar “tudo”: o mundo continuará misterioso.
Pesquisa Google (Corpo astral, Duplo etéreo, Ocultismo e Ciência):
http://www.google.com.br/search?q=duplo+et%C3%A9reo&ie=UTF-8&hl=pt-BR&meta=
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=corpo+astral&meta=
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=ci%C3%AAncia%2Bocultismo%2Bcorpo+astral&meta=
Google Search (Astral body, Astral projection):
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=astral+body&meta=
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=astral+projection&meta=
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| Tuesday, 15-Jun-2004 00:00 |
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O outro Eu Pt. II-III
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Apesar de toda a controvérsia e curiosidade sobre as coisas espirituais, a possibilidade de constatar a existência do outro eu sempre foi atemorizante e passou a significar presságio de morte. Além disso, são muitos comuns histórias de fantasmas de pessoas vivas que aparecem a um seu parente ou amigo como aviso de morte.
Esse tipo de manifestação é conhecido como aparição e as aparições irlandesas deram lugar a um vasto anedotário fantasmagórico, no qual o ser humano é assombrado por seu próprio duplo.
As idéias e conceitos sobre a alma do homem e suas possíveis representações não se tem limitado às lendas e crendices populares. Formulando sistematicamente o resultado de suas pesquisas, homens de ciência também têm tratado do assunto e suas descobertas podem desmentir cada vez mais, ou talvez fortalecer, as noções que existem sobre o outro eu humano.
A palavra aura é utilizada pelos ocultistas para designar um nuvem tênue ou aparência luminosa que teria sido vista envolvendo o corpo humano.
Além de um corpo objetivo e visível, o ser humano encerra experiências subjetivas invisíveis, das quais tem consciência, mas que só pode descrever aos outros por intermédio de palavras, gestos, escrita ou outros sinais. Em todas as religiões, essas experiências subjetivas são consideradas mais importantes que os dados materiais e corpóreos.
A questão é saber se o subjetivo humano pode ser observado como um fenômeno externo e objetivo e, especificamente, sob a forma de uma aura.
Uma primeira abordagem científica do problema concluiria que a aura nada mais é do que uma substância gasosa emitida pelo corpo humano. Muitos elementos vivos, além do homem, também irradiam calor. Por exemplo: as cobras que perseguem seu alimento, detectam animais no escuro pelo seu calor; alguns bichos são luminosos, como o pirilampo ou vaga-lume. Ou seja, a eletricidade é gerada em processos da vida.
Em 1858, o conhecido químico industrial barão Karl von Reichenbach anunciou ter descoberto certas radiações procedentes de magnetos, cristais , plantas e animais que poderiam ser vistas e sentidas no escuro, através de objetos sensíveis, depois de aclimatação durante duas ou três horas.
A extremidade norte de um magneto soltava uma incandescência azulada e uma corrente de ar frio; a extremidade sul, um brilho alaranjado e corrente de calor; o mesmo foi constatado com as extremidades de cristais e em partes de animais.
Quanto ao corpo humano, emanava radiação azulada e ar frio no lado direito, e cor alaranjada e calor, no esquerdo. A irradiação foi chamada de od odyle ou força ódica. O hipnotista de Rochas, da França, e William Gregory, professor de química em Edinburgh, igualmente acreditaram ter observado a irradiação. Já no século 20, o falecido psicanalista Wilhelm Reich anunciou a descoberta de um princípio comum de funcionamento da coisas vivas e não-vivas, que só se manifestava totalmente nas primeiras; observando-as, encontrou a mesma polaridade da radiação azulada e fria, contra a alaranjada e quente.
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| Monday, 14-Jun-2004 00:00 |
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O outro Eu Pt. I-III
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Os fantasmas existem? Pode ser que sim, pode ser que não, mas este é um dos nomes que o folclore e a tradição popular dão a entidades mentais ou espirituais consideradas como uma extensão do próprio homem, sua alma, seu duplo, seu outro eu, sua sombra, sua companhia por toda a vida.
Umas das crenças é a de que todo ser humano é acompanhado, em vida, por duas extensões de sua personalidade, uma boa e luminosa, outra má, negra e ameaçadora.
Alguns pesquisadores psicólogos consideram sa aparições como projeção do pensamento e não como a existência de um duplo.
É muito rico o acervo de tradições, lendas e superstições em torno do reflexo ou ad sombra. Conta-se, por exemplo, que os zulus africanos acreditavam ser perigoso olhar para um poça escura, com receio de serem capturados pelo espírito que ali morava e que a sombra – aquele negro “outro eu” que acompanhava os homens em todos os lugares – podia ser perdida ou prejudicada pelo descuido.
Seja como o anjo da guarda dos cristãos, duplo etéreo ou corpo astral, a idéia da inexistência da alma sobreviveu com grande variedades de nomes como jüdel ou doppelganger dos alemães, o fylgja da Noruega, ou as aparições das ilhas Britânicas.
Os conceitos mais primitivos sobra a função da alma influenciaram largamente a crença popular até os séculos 17 e 18, acreditando-se então que a alma podia escapar do corpo, ser roubada, ou ser projetada para fora do corpo por um ato de vontade.
Nessa época, dizia-se que a ausência da alma poderia causar doenças e que se ela deixasse o corpo, a pessoa poderia morrer. Acreditava-se também que a alma podia errar pelo desconhecido reino dos sonhos e por isso seria perigoso acordar alguém sob pena dela não mais voltar.
Mais atemorizante e sinistra era a convicção de que a alma podia ser extraída do corpo por feiticeiras e fantasmas. Parece que nisso é que se apóia a crença haitiana segundo a qual a alma pode ser capturada e utilizada como instrumento para escravizar seu dono, gerando a lendária tradição do zumbi.
O mito da projeção da alma chegou a tornar-se perigoso na época dos julgamentos de feiticeiras, durante os séculos 16 e 17, quando se aceitava que o duplo da bruxa podia perambular fora de seu corpo, destruindo vidas humanas e animais, enquanto sua dona, segundo todas as aparências, estava em outro lugar. Qualquer testemunha da chamada “evidência espectral” poderia, como aconteceu durante a “caça às bruxas”, condenar vítimas inocentes à fogueira ou às galeras, por mais que existissem provas em contrário.
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| Saturday, 12-Jun-2004 00:00 |
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Sorte & Destino Pt. III-III
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Ante a soberania do destino, alguns têm assumido posições de desafio; outros já declaram serenamente os decretos de tal soberania. No século 2 d. C., o imperador romano, Marco Aurélio, disse que “é característica do bom homem agradar-se de tudo que lhe acontece, pois que sua vida foi-lhe tecida pelo destino”. A mesma posição conformista tinha Confúcio, 650 anos antes do romano: “Se o homem sábio alcança alguma coisa na vida, ele diz que está bem. Se não alcança nada, também diz que está bem; ele reconhece, nos fatos, a mão do destino”.
A visão radical do destino, como determinante de todos os fatos da vida, não é muito comum. Mais freqüentemente é a crença na determinação apenas parcial do destino. Alguns eventos estão predeterminados, outros não. A morte é o exemplo óbvio de destino, comum a todos os homens; daí expressões como “fatalidade” e afins indicarem a morte.
Às vezes a idéia de destino só passa a ter validade depois da morte, como é o caso da doutrina cristã. Para os cristãos, a alma será salva, ou não, da condenação eterna, dependendo das suas ações em vida.
O destino parcial se expressa também em frases como “se você fizer isso, então aquilo acontecerá”. Não se trata, no caso, de uma relação lógica, mas sim de uma suposta regra do destino. Aliás, mesmo os que não crêem em destino constantemente se utilizam de frases como “alguma coisa me diz que”. Tais frases estão bastante impregnadas da idéia de predeterminação dos fatos. Alguns homens, no passado, questionaram a legitimidade dessa força maior – contra a qual não se pode lutar – que é o destino.
Para os antigos gregos, eram os deuses no Olimpo os “historiadores” do futuro dos mortais. No último livro da Ilíada, o personagem Aquiles descreve como Zeus conferia boa ou má fortuna aos homens sem nenhum critério definido.
Homero foi criticado por ter descrito deuses sem moralidade, pois algumas correntes de pensamento grego estabeleciam que o destino tinha uma função punitiva – os deuses de Homero impunham aos homens os dissabores , mas nunca punições, por pecados cometidos. Uma idéia muito próxima àquela que mais tarde o cristianismo iria adotar.
Para destino, fatalidade, há muitas interpretações. Mas, uma coisa é certa: na hora de um dúvida mais acentuada, alguém dirá: “Seja o que Deus quiser”.
Sobre as imagens: destino, J.W. Waterhouse (1); Tristán e Isolda, autor desconhecido (3); roda da fortuna, carta pertencente ao tarô de Marcelha (5).
Links:
http://www.hermanubis.com.br/Artigos/BR/ARBRAQueda.htm
http://www.plural.com.br/textos/defini.htm
http://www.str.com.br/Str/quiromancia.htm
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/eneas-canhadas/o-destino-de-todos-nos.html
http://www.magnifica.com.br/espiritismo/estudos/carma.htm
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| Friday, 11-Jun-2004 00:00 |
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Sorte & Destino Pt. II-III
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O astrólogo do imperador Frederico II, Michael Scot, afirmava, no século 13, que espirrar duas vezes seguidas, em três noites consecutivas, era um sinal de morte próxima na casa. Muito antes disso, os gregos já acreditavam que espirrar faz com que o pensamento, no momento do espirro, venha a se realizar futuramente. De onde se poderia concluir que os antigos filósofos gregos adoravam estar resfriados.
O espirro era considerado um importante presságio porque consiste na repentina expulsão do ar dos pulmões, e o ar era tido como a matéria-prima da alma humana. Eis por que se diz “Deus te abençoes”, quando alguém espirra.
Todos os outros métodos de predição do futuro – desde o processo das cartas à leitura das folhas de chá deixadas no fundo da xícara – são tidos como válidos pelos seus adeptos, porque podem representar o desenho do universo.
A predição do futuro também envolve crenças contraditórias. Os astrólogos ao mesmo tempo que crêem na predestinação dos eventos, acreditam também na hipótese de alterar o destino. Eles acham possível lutar contra as injunções malignas dos astros, e a parte mais importante dos seus estudos se encontra nesse ponto.
As nossas crenças sobre destino vieram do mundo pagão, na antiguidade, especialmente dos gregos, e foram mantidas quase intocadas pela influência cristã. Os gregos entendiam o universo como um todo ordenado, sujeito a leis rigorosas; tal visão se manifesta claramente na literatura grega.
O famoso conto de Édipo, por exemplo, joga com noções de destino e fatalidade. A história coloca o personagem central em situação que o levam a dormir com a própria mãe, sem o saber, e a assassinar se pai, manipulado pela “máquina infernal”. A máquina infernal seria um simbólico aparato “construído pelos deuses do inferno para a matemática destruição dos mortais”. Freud analisou a história de Édipo como sendo a representação literária dos desejos inconscientes do homem; vem daí o seu famoso “complexo de Édipo”.
Sófocles criou tal história para introduzir a idéia de que o homem segue caminhos já determinados por um plano anterior ao seu nascimento. E a existência de semelhante plano, não obstante as agonias que nos possa infligir, é sempre considerada melhor que a total inexistência de ordem no universo – o caos.
O sentido de uma ordem divina é expresso de maneira cruel e magnificente em outra peça de Sófocles, A mulher de Trachis. Aí também os personagens são envolvidos num processo inexorável, culminado no trágico final de todos.
No livro As origens do Pensamento Europeu (R.B. Onians), o autor mostra que a noção dos antigos gregos sobre elos e ligações do homem com o seu destino, não tinham valor simbólico; os gregos acreditavam realmente, segundo ele, que invisíveis cordas, ou fios, ligavam-nos a entidades superiores que, por meio desses fios, controlavam as suas vidas.
Essa entidades que teciam os fios do destino eram os “fados”: Cloto, tecia os fios na roca do destino; Lachesis, estipulava a medida dos fios; Átropos, finalmente, cortava o fio, à hora da morte. Os fados (em grego moirai) vêm da palavra latina fata, plural de fatum – “coisa já dita”, o que já está decretado. Da mesma origem latina é a palavra fada, que visita o berço dos recém-nascidos, trazendo-lhes bons ou maus augúrios. A idéia dos fados tecendo as linhas do destino espalhou-se por todo o mundo. Na literatura portuguesa há a noção da “trama” (originalmente, de tecido), à qual os homens e o seu futuro estão ligados.
A idéia de destino como coisa decretada e irreversível reaparece no usa da palavra “condenação”, significando julgamento último e imutável do destino de alguém. Também originário da Grécia é o sentimento de que o destino é algo de essencialmente ruim; talves pelo fato de ser a morte o fim comum a todos os homens e, igualmente, o conceito de destino se contrapor ao ideais de liberdade humana. Alguns homens, como Napoleão, sentiram-se destinados à grandeza, e tal convicção deu-lhes força para vencer.
Mas, normalmente o destino é pensado em termos de fatalidade. Mimnermos de Colofon, no século 7 a.C., registrou uma figura poética, ouvida num discurso de Homero, e tornada amplamente difundida e utilizada por muitos poetas, desde então. “Somos, de acordo com Homero, tais quais folhas de primavera, fortalecidas ao sol e ostentando, por breves momentos, toda a beleza da juventude. Mas , querem os fados que venha o outono, e faça as folhas caírem amarelecidas e sem vida, para serem soterradas pelas neves do inverno”.
Sobre as imagens: Destino e Morte, por Paul Lee (2); destino, por Jesús Carles de Vilallonga (3); Destino, Sandman Card (5).
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| Thursday, 10-Jun-2004 00:00 |
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Sorte & Destino Pt. I-III
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As crenças sobre sorte, destino e futuro são as armas humanas contra o acaso, a fatalidade e a iminência do caos, que ameaçam a ordem do universo.
Em geral, a morte de uma pessoa idosa não surpreende muito, mas quando um jovem morre fala-se em destino, má sorte, desejo de Deus, ou ainda, mero acaso, para explicar sua morte prematura. O que justificaria tais posições, tão diferentes e mesmo contraditórias, que o homem assume ao se encontrar diante de um fato chocante da vida?
Há diversas noções que povoam a mente das pessoas sem que elas duvidem de sua validade: a crença de que o curso da vida é decidido pelo destino, ou pelos deuses; a convicção de que somente as nossas próprias ações podem nos afetar; a suspeita de que as coisas ocorrem por pura acaso; e o sentimento de que há períodos negativos, ou seja, a vida está sujeita a “marés” de sorte e de azar. Há muito dessa noção na frase popular “é preciso não perder as oportunidades que a vida oferece” – é a crença na ocorrência súbita das “marés positivas” e que devem ser aproveitadas.
As crenças contraditórias a respeito de sorte, destino e acaso, podem ser mais bem entendidas a partir da observação da natureza. As pessoas perceberam, há muito tempo atrás, que existe uma ordem natureza. O sol levanta-se e se põe, diariamente; as ondas do mar vão e vêm, continuamente; as estrelas movem-se em seus cursos regulares e os homens nascem e morrem.
Mas, também a desordem foi observada na natureza. As secas, o terremotos, os eclipses, as erupções vulcânicas, os furacões são fenômenos considerados pelas pessoas comuns como alterações imprevisíveis da ordem geral. O mesmo se aplica a acontecimentos de ordem social, como a repentina falência de um homem próspero.
Nas sociedades diretamente dependentes da agricultura ou da criação animal, era questão da maior importância os ciclos da chuva e do inverno. O inimigo sempre presente na consciência do homem do campo era a possibilidade de falha na ordem natural das coisa, a chegada do caos. Aliás, muitos mitos e ritos da antiguidade, da mesma forma que as instituições políticas, eram armas humanas contra o caos. Porém, não obstante toda a prevenção religiosa, às vezes surgia uma situação caótica para ser enfrentada. Assim, o homem foi combinando a noção do acaso, da fatalidade, com uma visão ordenada do universo.
Entre os dois pólos de visão, a da ordem tornou-se a mais importante. A vida humana depende da ordem da natureza e sem ela não haveria esperança de atribuir um sentimento ao mundo. O medo à deserdem talvez seja o grande responsável pelo surgimento da magia, da filosofia, das religiões dentre outras possibilidades afins.
A crença na ordem, a desconsideração pelo acaso e pela possibilidade do caos constituem a base das idéias a respeito de sorte e destino. Todos os processos de prever o futuro – seja pela observação do astros, seja pelas linhas da mão ou pela contagem dos espirro de uma pessoas – pressupõem um desenho ordenado do universo, e que mesmo os mais casuais acontecimentos têm seu lugar predeterminado nesse desenho. Portanto, se o desenho for conhecido, tudo pode ser previsto.
Sobre as imagens: Cloto, Lechesis e Atropos, dos gregos (1); grabado del siglo, século XVI (2); mão astrológica, século XVI (3).
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| Wednesday, 9-Jun-2004 00:00 |
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O Gato Pt. III-III
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Em algumas partes da Europa, onde velhas cerimônias pagãs são mantidas relativamente intatas, o gato personifica o espírito do trigo.
Em Briaçon, na França, as colheitas de trigo são presididas por um gato enfeitado com rendas e flores. Já em Amiens, é costume sacrificar ritualmente um gato por ocasião da colheita das últimas touceiras de trigo.
Era comum em vários lugares Europa assar gatos vivos para afastar os maus espíritos. Numa famosa festa popular inglesa atiravam-se ao fogo sacos e sacos repletos de gatos. Outro hábito supersticioso era o de emparedar uma gata com sua cria quando se construía uma casa, para protege-la contra o fogo.
Até o século 18, queimavam-se gatos vivos nas terras altas da Escócia, numa cerimônia chamada Taigherin. A intenção era a de conquistar as boas graças dos deuses.
O gato preto sempre foi especialmente hostilizado pela sua cor, associada a temas fúnebres. Ainda hoje persistem velhas crenças a seu respeito, muitas delas contraditórias.
Por exemplo: em Yorkshire ter um gato preto em casa é considerado de bom alvitre. Todavia, encontra-se com um, casualmente, na rua, pode significar má sorte pela frente.
Um dos atributos sobrenaturais desses animais é o de prever o tempo. Quando eles pulam e correm nervosamente, significa que vai ventar. Quando coçam as orelhas é sinal de chuva; e quando se sentam de costas para o fogo da lareira é prenúncio de fortes tempestades.
Os indonésios acreditam que é possível atrair chuva espargindo gotas d’água sobre um gato. Observadores do passado tentaram explicar racionalmente os poderes de previsão meteorológica do gato. Argumentavam que a umidade do ar, antes da chuva, provoca reações orgânicas nos felinos. Tais reações, se atentamente observadas, podem nos dar indicações precisas sobre as futuras condições do tempo.
Um outro atributo excepcional do gato é seu poder, que estaria localizado no rabo, de curar doenças como: terçol, verrugas, panarício, sarna e alergias em geral. A pele do gato, depois de um tratamento adequado adquire qualidades especiais para a cura de dores de dente.
Se um gato espirrar uma vez, próximo da noiva, na manhã de seu casamento, isso significa bons augúrios para o futuro.
Dois espirros consecutivos é sinal de chuva e, três é indício de que toas as pessoas na casa irão contrair resfriado.
Enfim, se o gato não mais recuperou seu status de divindade dos tempos do antigo Egito, também não é mais alvo de sadismos aprovados pela tradição medieval. Hoje, ele pode engordar tranqüilamente na condição de animal doméstico.
Sobre as imagens: gato selvagem das bruxas inglesas (1); retalho estraído do livro Compendium Maleficarum (2); garota fazendo grinalda, por Hans Suess von Kulmbach (3); satan em forma de gato; processo das bruxas de Chelsford, de 1579 (4); três gatos com um rato, do bestiário inglês, século XIII c. (6).
Pesquisa Google (A divindade do gato nas culturas antigas):
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=bastet%2Bgato%2Bmitologia%2Begito&meta=
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=o+gato%2Bmitologia%2Bbruxas&meta=
Google Search (The deity of cat in the old cultures):
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=egypt+bast&meta=
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| Tuesday, 8-Jun-2004 00:00 |
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O Gato Pt. II-III
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É sabido que, muitas vezes, o deus de uma religião é o diabo de uma outra. Porém, raramente se observou uma perda de prestígio tão dramática como a que ocorreu no caso do gato.
Na Inglaterra medieval, o erudito Gervásio de Tilbury registrou uma interessante crença popular. Segundo ele, algumas pessoas feriram a pedradas e pauladas certos gatos que se suspeitava estarem transportando almas de mulheres. No dia seguinte, várias mulheres foram encontradas apresentando marcas dos ferimentos infligidos aos gatos.
Em 1607, na Escócia, Isabel Grierson foi queimada viva, acusada de ter penetrado na casa de Adam Clark sob forma de gato.
Ainda em 1708, já no fim da era de bruxaria que avassalou a Europa no séculos precedentes, foi registrado um caso semelhante. William Montgomery, de Caithness, ouviu conversa humana proferida por gatos à sua porta, em Londres. Atacou e feriu os animais. No dia seguinte, duas mulheres foram encontradas mortas no leito.
Jane Wenham, a última pessoa a ser processada por bruxaria na Inglaterra, também foi acusada de assumir a forma de um gato para assustar suas vítimas.
Acreditava-se que uma bruxa poderia assumir a forma desse animal apenas nove vezes. Isto porque, na época, supunha-se que um gato tivesse nove vidas.
Muitas vezes, os gatos eram tomados, eles próprios, por feiticeiros. Foi o caso de Satã.
Satã era um gato branco que, em 1566, foi levado a julgamento na Inglaterra, acusado de feitiçaria. Diziam que ele havia sugado todo o sangue da sua dona. Por isso foi queimado vivo.
O medo aos gatos tornou-se intenso a certa altura. No século 17, um sacerdote puritano da Nova Inglaterra, fazia advertências a seus fiéis. Dizia ele que, se apenas um gato adentrasse o quarto de alguém, tal pessoas estaria em sérios apuros.
Supunha-se que se um gato se aproximasse de um cadáver, levaria consigo a alma do morto. E este se transformaria, então, num vampiro.
Aliás, a crença nos gatos vampiros era muito comum no Japão. Mais tais seres eram facilmente reconhecíveis por terem dois rabos.
Uma superstição ainda não extinta sustenta que os gatos costumam subir nos berços para sorver o ar que os bebês respiram.
Sobre as imagens: Bast, a deusa-gata (1); escombros do templo de Bastet, no antigo Egito (4).
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