Hermetic Knight

By: Julius Caesar

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Wednesday, 14-Jul-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
AS FEITICEIRAS DE SALÉM PT. I-I

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A grande caça às feiticeiras de Salém, em 1692, é o mais famoso caso dessa natureza de que se tem notícia, pelo menos no mundo anglo-americano. Foi o de maior duração e continuidade e que teve maior número de pessoas envolvidas n0o assunto, em toda a história americana. Por isso, naturalmente, é o que mais atenção atraiu nos Estados Unidos, até hoje. Comparado, no entanto, aos acontecimentos parecidos, anotados na Europa Central, o caso das feiticeiras de Salém não assume extensão muito grande. Mas, a par disso, apresenta uma particularidade: terminou tão subitamente como começou.

Por causa da modificação dos sentimentos e pontos de vista sobre o assunto, que logo em seguida se verificou, especialmente durante os últimos julgamentos dos acusados, nenhum dos novos suspeitos foi condenado, causando o aparecimento de uma controvérsia sobre o ponto crucial: houve, de fato, qualquer caso real de feitiçaria naquela comunidade, ou o caso inteiro teria sido apenas uma imensa e trágica ilusão?

Essa controvérsia determinou um fato: os acontecimentos de Salém se tornaram muito bem conhecidos.

O pânico iniciou-se na vila de Salém, uma comunidade rural de Massachusetts, opuco distante da cidade de Salém, que, logo depois, passou a se chamar Danvers. Começou no inverno de 1691-92, com um grupo de garotas de 11 a 20 anos de idade. Era um grupo de 8 meninas, que costumavam se reunir perto da casa do sacerdote, com a escrava do religioso, Tituba. A impressão até hoje é de que Tituba se dedicava a encher a imaginação das meninas com histórias de magias da África. Realmente, a escrava procedia de Barbados, mas isso pouca diferença fazia, realmente.

Essas reuniões terminaram por causar em Abigail Williams, de 11 anos e em Ann Putnam, de 12, uma espécie de qualquer doença histérica. Abigail, a mais nova, era parente do ministro religioso, Samuel Parris, vivia em sua casa e, por isso, estava mais sujeita à influência da escrava Tituba. As duas garotas rosnavam e rangiam os dentes, aparentemente sem qualquer razão lógica, rolando pelo chão. Por vezes, agiam como se acreditassem estar sendo transformadas em animais.

Esses sintomas começaram a se espelhar pelas outras crianças da comunidade. Os adultos, imediatamente, se convenceram de que as crianças tinham sido enfeitiçadas. O ministro religioso, Parris, foi incapaz de descobrir quem estava enfeitiçando as crianças. Ele até chamou um curandeiro índio, para tentar fazer com que solucionasse o mistério. Por fim, em fevereiro de 1962, Abigail e Ann puderam apontar os nomes de seus algozes: Tituba, Sarah Good e Sarah Osburne. As duas últimas, como a maior parte das pessoas acusadas no começo da caça às feiticeiras, eram antipatizadas por toda a vila e, mesmo, olhadas com restrições pela liderança puritana do local. Mais tarde, as duas crianças parecem ter pouco se importado em fazer com que suas acusações fossem assim plausíveis.

Nessa altura dos acontecimentos, as autoridades locais levaram muito a sério as duas meninas. Os magistrados fizeram encarcerar as mulheres, no dia 1º de março, para examiná-las detidamente na presença das acusadoras, durante uma sessão pública para a qual tomaram a igreja por empréstimo. As duas Sarahs negaram tudo, mas Tituba apresentou uma confissão detalhada e, mais ainda, relacionou o nome de outras pessoas que estavam sendo dominadas por Satã. As duas meninas chegavam ao paroxismo de suas crises histéricas na presença dos acusados de feitiçaria.

A confissão de Tituba provavelmente salvou-lhe a vida: ela nunca chegou a ser julgada, mas foi confiscada de Parris e vendida depois, para ressarcir despesas da corte. Sarah Osburne morreu, enquanto aguardava julgamento.

Enquanto isso, o número de suspeitos crescia assustadoramente. As duas meninas continuavam sendo as acusadoras mais ativas, mas, com o tempo, outras crianças seguiram seu exemplo. Muitos acusados repetiram a tática de Tituba e nenhum deles foi executado. Entre os que afirmaram sua inocência havia alguns cuja inocência, em situações normais, seria inquestionável. Entre eles, contam-se o ministro religioso George Burroughs, a senhora Martha Corey, membro da comunidade religiosa e Rebecca Nurse, uma inválida de reputação antipática. Naturalmente, havia alguns velhos residentes, sempre suspeitos de feitiçaria: e houve por isso, quem logo acusasse Bridget Bishop e Susanna Martin de bruxaria, levando-as a julgamento.

O governador de Massachusetts, William Phips, designou uma comissão especial de juízes para compor a corte em Salém, a cidade, não o povoado, no mês de junho. Bridget Bishop foi condenada e executada imediatamente (mais tarde, foi uma das reabilitadas). E os juízes se lançaram, então, seriamente à tarefa de descobrir os bruxos atormentadores das meninas Abigail William e Ann Putnam.

As meninas caíam em espasmos quando sentiam a proximidade de uma feiticeira e readquiriam a calma se ela lhes tocasse a testa com a mão. Esse método de verificação é o detalhe diferente dessa história de feitiçaria. Os juízes, naturalmente, mostraram grande fé nesse método. Rebecca Nurse, contra quem nenhuma prova foi encontrada, foi inocentada pelo júri. Mas, os juízes especiais se sobrepuseram a essa decisão e ela foi enforcada juntamente com Sarah Good, Susanna Martin e três outras mulheres, a 19 de julho.

Alguns cometiam erros contra o júri: parece ter sido o crime de Martha Corey, de May Easty, a irmã de Rebecca Nurse e do sub-xerife John Willard, que se recusaram a fazer outras dentenções. Todos os três foram executados. As duas garotas passaram a acusar inclusive pessoas de quem somente tinham ouvido falar: uma delas era a senhora Cary, da cidade de Charleston, que foi a Salém e calmamente se sentou na audiência do julgamento. As meninas nada sentiram até que souberam, por acaso, quem era ela: só então caíram em espasmos. A mulher foi presa, acusada, mas sobreviveu ao pânico.

Autoridades da cidade de Andover convidaram as meninas para visitá-las, a fim de descobrir se havia feiticeiras entre eles: descobriram várias: Giles Corey, 80 anos, marido de Martha, não podia ser julgado: ele não se dizia nem culpado nem inocente. A lei permitia um recurso: amarrar o prisioneiro na cela e cobri-lo com pesos. Se morresse sob os pesos, estaria inocente. Ele morreu sob os pesos.

Já havia 20 executados e mais 200 acusados presos. As cadeias estavam cheias. O governador voltou de férias: dissolveu a comissão especial de juízes. Os detidos aguardaram até o fim do ano: alguns foram inocentados pela justiça comum e os outros o governador perdoou.

Uma revolta geral eclodiu por todo o país. Em Salém, os magistrados que tinham iniciado os processos, admitiam os erros, entre lágrimas e lamentações. Até então ninguém tinha duvidado da existência de bruxaria: Thomas Brattle, um comerciante de Boston, foi o líder do movimento da volta à racionalidade, dali por diante, a América colonial e, mesmo depois, a América livre, nunca mais teve coragem de condenar alguém por feitiçaria.


Sobre as imagens: mapa da vila de Salém em 1692 (1); desenho da casa onde ocorreu primeira a reunião (2); retrato do Rev. Samuel Parris (3); retrato do Sir William Phipps (4); retrado de Increase Mather (5); retrato do Juiz Principal, William Stoughton (6); retrato do Rev. Cotton Mather (7); desenho de Bridget Bishop ( 8 ); desenho de Giles Corey (9); documento cancelando a acusação de diversas pessoas no envolvimento com a feitiçaria, 1711 (10); arrastando a bruxa, Howard Pyle (11); acusada de feitiçaria, Douglas Volk, 1884 (12); examinação de uma bruxa, Thompkins H. Matteson, 1853 (13); Feitiçaria na vila de Salém, William A. Crafts, 1876 (14); O martírio em Salém, Thomas Slatterwhite Noble, 1869 (15); execução da Sra. Ann Hibbins, F.T. Merrill (16); lápide sepulcral de Sarah Good (17); a antiga casa do Juiz Jonathan Corwin (18); desenho de Tituba narrando um conto às crianças na casa de Parris, onde tudo começou (19).

Links (As Feiticeiras de Salém):

http://www.internext.com.br/valois/pena/1692.htm

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/feiticeiras.htm


Links (The Salém Witches):

http://www.salemwitchmuseum.com/

http://etext.virginia.edu/salem/witchcraft/

http://www.nationalgeographic.com/features/97/salem/



Saturday, 10-Jul-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
A Vassoura Mágica Pt. I-I

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A humilde vassoura sempre teve uma importância curiosa na história dos costumes e, principalmente, na magia. Na crença popular, as feiticeiras invariavelmente voam montadas em vassouras; mas, de fato, o número daquelas que confessam tê-lo feito é marcadamente pequeno.

Como um implemento doméstico, a vassoura se tornou o símbolo da mulher. O símbolo equivalente para o homem é o garfo de capim, e nas ilustrações medievais, durante as reuniões de feiticeiros, as mulheres apareciam com vassouras e os homens com os garfos usados no campo. Em algumas partes da Inglaterra, até bem recentemente, uma dona de casa poderia colocar a vassoura fora da porta, ou enfiá-la pela chaminé, deixando aparecer uma extremidade, para significar que tinha saído. Mas, talvez, originalmente, sua intenção tenha sido guardar sua casa, fingindo estar presente na forma da vassoura. Isabel Gowdie, feiticeira escocesa do século 17, afirmou que, antes de sair para a reunião (sabá) das feiticeiras, a mulher teria que colocar a vassoura no leito conjugal, para tomar seu lugar ao lado do marido.

Na Idade Média, acreditava-se que as feiticeiras podiam voar em uma grande variedade de objetos: animais, cavalos de brinquedo, pás, cascas de ovo, um maço de capim, um punhado de grama, uma bengala de ponta aberta ou mesmo sem qualquer apoio.

Uma famosa feiticeira do século 14, Alice Kyteler, teria dito possuir uma coleção de objetos nos quais podia trotar e galopar, quando e como quisesse, depois de untá-los com um líquido encontrado em seu poder.

Ali não há qualquer indicação de vôo, mesmo que a menção do líquido possa sugerir isso. De acordo com um tratado anônimo, escrito em 1450, uma bengala untada com o óleo de voar era oferecida a cada feiticeira na sua iniciação. O mais antigo caso da confissão de uma feiticeira – de ter voado numa vassoura – foi em 1453, com Guillaumme Edelin, de Saint Germainen-Laye, perto de Paris. Uma feiticeira de Savoy, julgada em 1477, disse que o Diabo lhe presenteara com uma bengala de 45 cm e um jarro de ungüento. Ela a untava e colocava entre as pernas, dizendo: “Vai, em nome do Diabo, vai!”. E, imediatamente, era levada pelo ar até a reunião de feiticeiras.

Cem anos depois, em 1563, Martin Tulouff, de Guernsey, disse ter visto sua velha mãe montar numa vassoura, enveredar-se pela chaminé e dali para fora da casa, dizendo enquanto voava: “Vai, em nome do Diabo e de Lúcifer, sobre rochas e espinhos”. Em 1598, Claudine Boban e sua mãe, feiticeiras da Província de Franche-Comté, no Leste da França, também falaram em voar com vassouras, tendo como saída a chaminé.

O advogado e caçador de feiticeiras, Jean Bodin, na sua Demonomanie, em 1580, afirmava que feiticeiras podem voar tanto em vassouras como em carneiros negros, mas que somente o espírito da mulher voava, enquanto o corpo ficava em casa, para confundir os investigadores. Há evidências de que o “vôo” de feiticeiras era apenas um sonho ou uma experiência alucinatória, pois muitas delas explicavam que se dirigiam às reuniões pelos meios normais, a pé ou a cavalo.
É possível também que a crença de que as feiticeiras voavam em vassouras repouse no fato de elas dançarem com a vassoura entre as pernas, dando grandes pulos.

Pelo fim do século 18, a questão do vôo das feiticeiras foi levada à justiça e o juiz, Lord Mansfield, deu sua famosa sentença: ele não conhecia nenhuma lei inglesa que proibisse o vôo e, por isso, quanto a ele, se houvesse alguém com tais inclinações, podia fazê-lo livremente. E é daí que vem um outro mistério: ninguém explica por que, desde o momento em que a lei liberou o vôo, não se teve mais conhecimento de feiticeiras voando em vassouras, ou outro meio.

Assim que aterrissou, a vassoura experimentou eclipse total em sua notoriedade.

Mas, um rito ficou: em Gales e entre os ciganos, permanece o ritual do casamento de vassouras. O casal feliz soleniza a união, saltando pra dentro de seu novo lar, por sobre uma vassoura colocada no umbral da porta. Isso deve ser feito na presença de testemunhas e sem mexer na vassoura. Em qualquer momento, no futuro, o casamento pode ser desfeito, com um ato ao revés: o casal saltaria para fora da casa, pulando de costas sobre a vassoura, ainda na presença de testemunhas.

Mas, é infelizmente para uma jovem pular sozinha sobre a vassoura no umbral: significa que se tornará mãe, antes de ser esposa. A má sorte também pode vir, se uma vassoura for feita em maio, um mês que a tradição afirma ser de baixa fertilidade. Varrer a poeira para a porta da frente também é sinal de má sorte: significa expulsar a felicidade de casa. Na Índia, a vassoura é amarrada ao mastro dos navios, para “varrer” as tormentas. Da mesma maneira, o almirante holandês Van Tromp amarrou uma vassoura no mastro de seu barco de guerra, para dizer que iria “varrer” os navios inimigos dos oceanos.


Pesquisa Google (A vassoura mágica das bruxas):

http://www.google.com.br/search?q=a+vassoura+das+bruxas&ie=UTF-8&hl=pt-BR&meta=


Links (the broom of the witches):

http://www.shanmonster.com/witch/wards_tools/broom.html

http://www.globalpsychics.com/lp/Superstition/witches_and_brooms.htm

http://www.webster-dictionary.org/definition/witches'%20broom

http://www.moonlightmysteries.com/brooms/brooms01.html



Monday, 28-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
A Caça às Bruxas, Bamberg, Alemanha Pt. I-I

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Era o tempo da grande caça às feiticeiras. Na Europa, dominava a crença de que era obrigação dos cristãos resgatar hereges e pagãos do hediondo destino que os esperava depois da morte.

Muito antes, Santo Agostinho expressava sua convicção de que “não apenas cada pagão, mas cada judeu, herege e cismático, irá para o fogo eterno, a não ser que, antes do fim de sua vida, se reconcilie e se encaminhe para a Igreja Católica”.

A conseqüência dessa atitude foi a imposição de verdadeiro inferno na terra, para milhares de criaturas humanas, com o objetivo de salvá-las do terror do inferno, na vida futura.

Os horrores da perseguição provavelmente foram piores na Alemanha do que em qualquer outra parte da Europa. Os julgamentos de feiticeiras começaram ali em meados do século 15, mas o ápice foi depois de 1570, na época da Contra-Reforma, quando a Igreja Católica Romana começou a impor o recuo ao crescimento do protestantismo e a toda forma de heresia, incluindo a feitiçaria, que se tornou, então, alvo de ataques brutais.

Entre 1609 e 1622, mais de 300 pessoas foram executadas sob a acusação de feitiçaria, somente no estado de Bamberg. O acusado era torturado sem preocupação de sexo ou idade.

Em 1614 uma mulher de 74 anos atravessou, antes de morrer, os tormentos da tortura até o “terceiro grau”.

De 1623 a 1632, o estado de Bamberg – mais tarde descrito como o “templo do terror” – foi governado pelo fanático príncipe-bispo Gottfried von Dornheim. Conhecido como o “bispo feiticeiro”, ele estabeleceu uma organização de caça a feiticeiras extremamente eficiente, sob o comando do bispo assistente Friedrich Förner, assessorado por um conselho de advogados. Prisões especiais foram erguidas, ficando famosa a chamada Hexenhaus, ou a “Casa das feiticeiras”. No mínimo 600 pessoas foram queimadas nessa década, sob a acusação de feitiçaria.

Era considerado essencial que o acusado confessasse a prática de feitiçaria e, nesse sentido, nenhum esforço era poupado. Os meios empregados incluíam: tostar a vítima numa caldeira de ferro incandescente, beliscar-lhes a pele com pinças quentes, esmagar suas pernas, deslocar as clavículas e esmagar os dedos.

Era extremamente perigoso expressar qualquer dúvida quanto à culpa dos acusados ou à ação da corte e os métodos usados, para obter a confissão. As autoridades estavam determinadas a não deixar que o acusado, um vez preso, escapasse à sua sorte.

Isso foi provado pelo próprio vice-chanceler de Bamberg, Dr. Ham, que tinha mostrado sinais de liberalidade para com os acusados: ele próprio foi acusado de feitiçaria, admitiu sua culpa sob torturas e denunciou outro cinco burgo-mestres do estado. Isso não o salvou: em 1628, o Dr. Ham, sua esposa e sua filha foram queimados, sob a acusação de serem uma súcia de feiticeiros.

A caça às feiticeiras, em Bamberg, envolvia uma indústria inteira, que ia desde os juízes até os fornecedores de lenha para queimar os acusados. Todas as despesas eram pagas com o patrimônio do próprio acusado. Se alguém demorasse em confessar, os métodos de tortura atingiam requintes de perversidade: penas em chamas, com ácido sulfúrico, passadas pelas axilas ou pelos órgãos genitais, ou ainda banhos com água fervente, na qual o ácido era adicionado.

Muitas vezes a riqueza do acusado é que provocava a denúncia, prisão, tortura e execução do mesmo. Por isso, a traição entre amigos era coisa comum.

Tudo terminou quando refugiados foram relatar ao imperador os detalhes do simulacro da justiça em Bamberg: leis mais amenas foram baixadas, dando oportunidade de defesa ao acusado. Mas isso não era obra apenas da Conra-reforma: o luterano Benedict Carpzov admitiu ter determinado a execução de, pelo menos, 20 mil pessoas, na Saxônia. Com o gradual declínio da crença na existência do diabo, o medo às feiticeiras abrandou. E, com isso, não houve mais necessidade de mandar queimar, para salvar a alma do acusado.

Em 1630 morreu o bispo Förner e, dois anos depois, foi seguido por seu mestre, o príncipe-bispo Dornheim. Também, a invasão da Alemanha por Gustavo Adolfo, da Suécia, contribuiu para alterar a situação: o réu sueco era protestante. Foi necessária a presença de um herege em solo católico para que cessassem as atrocidades que estavam sendo cometidas em nome da religião. Só assim, colocou-se um ponto final em uma das mais negras páginas da intolerância e da ignorância humana.


Sobre as imagens: Hermann Löher e Wehmütige Klage, 1677 (1,2,3); Sachsenspiegel, 1220 (4); Morraine, 1840 (5); Löher, 1677 (6); Merian, 1626 (7); Löher, 1677 (8 ); Scherr, 1878 (9); autor desconhecido, século 17 (10); Millais, 1894 (11); Basedow, 1768 (12); Luyken, 1700 (13); autor e época desconhecidos (14); Löher, 1677 (15); La Tour, 1493 (16); Morraine, 1840 (17); Remigius, 1693 (18); alguns dos instrumentos de tortura utilizados pelos caçadores de bruxas (19, 20); cartaz incitando à caça as bruxas (21); Hexenhaus, a casa das bruxas(22).


Links (All english links are dedicated to Steve Troy and Donald D'buck):

http://www.zpr.uni-koeln.de/~nix/hexen/e-index.htm

http://www.shanmonster.com/witch/



Saturday, 26-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Magia Negra & Feitiçaria Pt. III-III

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Freqüentemente se acredita que um feiticeiro possa afetar sua vítima por mera concentração de más intenções ou maus desejos. Mas, em geral, eles se dizem capazes de conjurar forças externas, sobretudo demônios.

Os índios Quiche, da Guatemala, dizem que para se tornar feiticeiro é preciso dormir nove noites num cemitério, orando para o diabo.

Os feiticeiros Nyoro, da África, enviam maus espíritos à caça de seus desafetos e os feiticeiros da tribo Lelê forçam espíritos de nativos mortos a revelarem o futuro.

Quando a magia é seguida de efeitos esperados, como tantas vezes ocorre, a explicação freqüentemente dispensa interpretações sobrenaturais. Um feiticeiro de personalidade dominadora exerce uma influência terrificante até mesmo sobre os incrédulos; nessas condições, se puser um feitiço mortal sobre a vítima, ela poderá definhar e morrer, ainda que por mera sugestão.

Numa cerimônia européia, um pequeno grupo de mágicos tenta conjurar algum poder maligno até o nível da aparência visível. Durante o ato exaustivo, eles gradualmente se flagelam até chegarem a um estado de intensa excitação. Como eles têm na mente uma imagem daquilo que na realidade esperam ver, não surpreendem que muitas vezes cheguem mesmo a encarar o demônio invocado, seja por alucinação de suas mentes exaltadas, seja por algum outro fator psíquico desconhecido.

Alguns antropólogos que estudaram crenças africanas insistem em distinguir o feiticeiro do bruxo. Segundo esse rigor técnico, feiticeiro é o que usa “medicina” do tipo: ervas, raízes, unhas, cabelos e etc. Já o bruxo possui poder mágico interno e pode fazer o mal a uma pessoa pela simples concentração e direção de suas “vibrações” malignas. Feitiçaria se aprende, bruxaria não.

Na prática, a diferença não é tão clara e nem mesmo aceita por todos os antropólogos. Na tradição européia, por exemplo, bruxos e feiticeiros exerciam suas artes malignas com “medicina” e com poderes inatos, indistintamente.

Por isso, há quem proponha outra divisão: feiticeiro controla poderes ocultos; bruxo só os cultua. Talvez por isso a maioria dos feiticeiros europeus tenha sido formada por homens, enquanto na bruxaria se destacam as mulheres.

Em teoria, a diferença é nítida: magia negra obra do mal, magia branca favorece o bem. Mas, na prática, os limites se dissolvem, porque o que um entende como bem, outro qualifica de mal.

Entre os índios americanos, o curandeiro pode ao mesmo tempo tratar de uma doença ou infligi-la, com sua “medicina”. Um índio Papago se lembra do tempo em que um curandeiro foi linchado na tribo por andar matando pessoas. Igualmente, bruxos modernos e adeptos da magia branca em geral admitem sua disposição de usar poderes ocultos contra rivais hostis.

Para os magos, magia é moralmente neutra. Funciona automaticamente, como uma torneira para tomar banho ou para afogar um bebê, a moralidade de sua motivação não afeta o fluxo da água.

É curioso verificar que muitos livros europeus de magia incluem preces fervorosas a Deus, mesmo para matar ou molestar pessoas. O Grimoire de Honorius, manual do século 17 ou antes, supostamente foi escrito por um papa e destinado ao uso exclusivo de padres-bruxos.

A explicação para essas aparentes contradições é que, para os magos, o poder de qualquer divindade pode ser usado com qualquer finalidade, desde que o procedimento técnico seja correto.


Sobre as imagens: pentagrama, magia negra (2).


Pesquisa Google (Magia negra, Feitiçaria, Bruxaria):

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=bruxaria&meta=

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=feiti%C3%A7aria&meta=

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=magia+negra&btnG=Pesquisar&meta=cr%3DcountryBR


Google Search (Black magic, Witchcraft):

http://www.google.com.br/search?q=Black+magic%2Bwitchcraft&ie=UTF-8&hl=pt-BR&meta=

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=witchcraft&meta=

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&q=aleister+crowley&meta=



Friday, 25-Jun-2004 00:00 Email | Share | | Bookmark
Magia Negra & Feitiçaria Pt. II-III

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Um praticante de magia negra pode usar, para determinados desígnios, apenas seus poderes interiores; ou pode conjurar espíritos, demônios e outras forças externas; ou valer-se de disfarces, palavras e gestos; “armas” como a vara mágica e os “filtros”.

As preparações conhecidas como filtros, ou porções mágicas, podem ser baseadas em sangue, ervas, folhas e raízes de plantas, partes de animais ou de seres humanos. Outros dispositivos incluem papéis com inscrições e símbolos, nós atados em fieira, pedras, dentre outras possibilidades.

Às vezes alguns ingredientes são de fato perigosos, como por exemplo, a peçonha de serpentes. Em outros casos, como no do sangue de morcego, o único mal parece residir na sinistra conotação.

Seja como for, nada disso atua por si. É preciso haver uma conexão qualquer entre a vítima e o encantamento. Aparas de unhas ou cabelo, peças de roupa e outros artigos de uso pessoal supostamente retêm algum eflúvio místico da pessoa.

Coisas menos tangíveis também servem: nome, pegada e/ou sombra da vítima. O Grimorium Verum, manual francês de magia, do século 18, ensina que se pode lançar um feitiço sobre alguém, fincando na pegada da vítima um prego retirado de um velho caixão de defunto. O ato deve ser acompanhado de certas palavras, inclusive uma paródia blasfema do Pai Nosso: “Pai Nosso, que estás na terra”. Crava-se o prego e ordena-se: “Faz mal a fulano até que eu te remova”.

Onde não houver vínculo natural com a vítima é preciso cria-lo. É a mesma teoria do despacho: deixar o mal no caminho da pessoa visada, ou em sua casa.

Palavras, quando impregnadas do poder do feiticeiro, são recursos tidos como altamente eficazes. Entre os Maori da Nova Zelândia, certas palavras mágicas são dotadas de força própria e, por isso, nunca podem ser alteradas pelos iniciados.

A conexão com a vítima tem a função de conduzir até ela o encantamento emitido ou conjurado pelo feiticeiro.

Por meio de mímica, palavras e gestos, o mago estimula sua própria fúria íntima, ou ódio, ou luxúria até um nível frenético; a energia dessa excitação emocional é então externada e dirigida contra a pessoa visada.

Feiticeiros primitivos, assim como os de países civilizados, golpeiam o ar com facas, espadas e outras armas, numa atmosfera de frenesi, como se todas as forças malignas do universo convergissem para o mágico, que então dirige esse feixe invisível contra a vítima, de modo a lhe causar lesões nas partes imaginariamente atingidas pelos golpes.

Na Europa, os feiticeiros desempenham a cerimônia dentro de um círculo, símbolo de um território fantástico, no qual se confinam e se concentram os poderes invocados. Se esses poderes efetivamente se originam do próprio feiticeiro, ou de agentes externos, é coisa muito discutida.



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